Empresas de internet são alvos do CV por se recusarem a pagar taxa à facção

O Comando Vermelho estava exigindo das empresas pagamentos mensais de R$ 20,00 por cliente, sob pena de represálias.

Ataque a empresas de internet no Ceará | Reprodução/g1 Ataque a empresas de internet no Ceará | Foto: Reprodução/g1
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Os ataques do Comando Vermelho a empresas de internet no Ceará estão crescendo, e miram regiões periféricas da capital, cidades da região metropolitana e interiorana. As ações, entre elas incêndios a carros, tiros disparados contra fachadas, vandalismo na sede das provedoras e rompimento de cabos de fibra ótica, é em represália a empresas que não aceitam pagar "taxa" aos criminosos. 

Quarenta suspeitos foram presos durante operações das forças de segurança nas últimas semanas. As áreas atacadas pela facção criminosa não foram escolhidas aleatoriamente, e o Ministério Público do Ceará não tem registro de ataques em áreas nobres, segundo o promotor de Justiça, Adriano Saraiva, que é coordenador do Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).

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Uma cidade como Caridade, que é uma cidade pequena, que não tem policiamento tão forte como a cidade vizinha, Canindé. Em Caridade, não tem a metade do policiamento que tem lá em Canindé. Então, eles escolhem esses locais em que o acesso para eles é mais fácil, e a fiscalização, o efetivo policial é pequeno, é diminuto.

Caridade é a cidade mais afetada, onde 90% dos clientes ficaram por semanas sem internet, conforme estimativa da Associação de Provedores do Ceará. 

PAGAMENTO À FACÇÃO

O Comando Vermelho estava exigindo das empresas pagamentos mensais de R$ 20,00 por cliente, sob pena de represálias. "Ou eles [empresários] cediam a essa exigência e começavam a pagar essa taxa, ou eles iam ser prejudicados, porque eles [criminosos] iam cortar o serviço, depredar todo o material, cortar as fiações e esses provedores não passariam mais a funcionar naquele determinado local", explicou o promotor.

Após os ataques, cinco donos de empresas clandestinas de internet foram presos suspeitos de envolvimento nos crimes.

PRISÕES

Pelo menos 40 pessoas foram presas desde fevereiro por suspeita de envolvimento nos ataques, conforme balanço da Secretaria da Segurança Pública. Além das prisões, veículos, diversos aparelhos celulares, armas e munições também foram apreendidos.

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