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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Redução da taxa Selic ajuda Brasil a subir 23 posições no crescimento industrial

O crescimento da indústria brasileira ficou bastante acima da média mundial para o período, mostrando um avanço de 1,7% ante o primeiro trimestre de 2023 e de 1% em relação ao 4º trimestre

O desempenho industrial do Brasil subiu 23 posições acima do que estava previsto no primeiro trimestre de 2023, e 15 posições a mais das previsões do 4º trimestre deste ano (60ª), passando à 45ª posição no ranking de 116 países que tiveram sua produção avaliada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial(IEDI), com base em dados extraídos de relatório da UNIDO(United Nations Industrial Development  Organization).

O crescimento da indústria brasileira ficou bastante acima da média mundial para o período, mostrando um avanço de 1,7% ante o primeiro trimestre de 2023 e de 1% em relação ao 4º trimestre. Enquanto a economia manufatureira do Brasil avançou, houve estagnação no cenário mundial, aponta o estudo.

A movimentação positiva do Brasil, com crescimento expressivo no segmento industrial, conforme indicam os analistas do estudo, se deve à redução dos juros adotada pelo Comitê de Política Monetária(COPOM), do Banco Central, entre agosto de 2023 e maio de 2024, que permitiu melhores condições de crédito e maior oferta de financiamento a favor dos setores produtivos. Na avaliação dos pesquisadores, os cortes na taxa básica (Selic) ajudam a diminuir juros na ponta.

A redução de juros veio associar-se a um contexto macroeconômico positivo, presente na redução consistente do desemprego, vendo-se  a população ganhando maior poder aquisitivo, o que favorece mais forte e mais frequentemente sua presença nas compras, assegurando, por outro lado, que as empresas do setor impulsionassem suas encomendas face à necessidade de modernização de suas atividades produtivas, o que contribui para a redução de custos.

Além disso, medidas adotadas pelo Governo Federal, como a correção do salário-mínimo acima da inflação, o pagamento antecipado de precatórios, a ampliação dos programas sociais (com especial destaque para o Bolsa Família), a retomada de obras públicas paralisadas pelo governo anterior e a decisão de iniciar novas obras, estão tendo efeitos positivos na revitalização das atividades econômicas, com benefício direto à indústria.

Além de revelar o ranking do crescimento industrial, o IEDI apresentou um estudo mapeando a atividade manufatureira global, percebendo-se que enquanto no Brasil ocorria avanço expressivo no período, o mesmo não ocorreu no resto do mundo. Nos primeiros três meses de 2024, comparando-se com igual etapa de 2023, ocorreram quedas nas produções industriais da América do Norte (-0,4%), América Latina e Caribe(-1,6%) e Europa (-2,1%). Com o bom desempenho que vem apresentando, o Brasil(45º) fica acima de outros países emergentes, como o México, em 62º, e até mesmo Estados Unidos, que está na 67ª posição.

Os analistas desse estudo do IEDI são unânimes em admitir que a demanda interna brasileira encontra-se aquecida, bem como o mercado de trabalho, o que faz elevar o potencial de vendas, do comércio e setor de serviços, um ciclo que faz retornar positivamente à atividade industrial.

Esses indicativos revelados pelo estudo em relação à benéfica influência que os juros mais baixos e com maior oferta no mercado trazem ao crescimento industrial, certamente vão servir de combustível para o esforço dos que são adeptos do desenvolvimento fortaleçam a luta para forçar que  o Copom volte a derrubar as taxas Selic. A interrupção no ciclo de quedas que tinha sido instaurado em 2023, é um sinal que não agrada, e que promete reação vigorosa a partir da próxima sessão do Copom, que acontece agora, em 30 e 31 de julho.

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