
No próximo domingo (23), os alemães irão às urnas para decidir o futuro político do país. As pesquisas de opinião indicam que o resultado deve levar a um novo chanceler e a uma nova coalizão de governo. Com informações da CNN.
Embora as campanhas eleitorais no país costumem ser mais previsíveis e com um tom mais seco, nesta eleição, o clima tem sido diferente.
Em novembro passado, o chanceler Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), demitiu o seu ministro das Finanças sem cerimônias. Depois disso, Scholz perdeu um voto de confiança, o que resultou em eleições parlamentares antecipadas.
Pouco depois, Elon Musk, o homem mais rico do mundo e conhecido por seu relacionamento com o governo Trump, entrou na campanha, expressando apoio ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
O apoio de Musk causou um debate nacional sobre a maneira como a Alemanha encara sua própria história do século XX. O chanceler chamou a postura do bilionário em relação aos políticos de extrema direita na Europa de “nojenta”.
A AfD, por sua vez, deve conquistar novas posições na política alemã, com as pesquisas sugerindo que o partido pode se tornar o segundo maior do país — algo inédito para um partido de extrema direita desde a era nazista.
Dois temas dominaram a campanha: imigração e economia
A imigração em massa e a crise econômica do país foram os principais temas da campanha eleitoral.
Quem são os principais candidatos a chanceler?
- Friedrich Merz (CDU)
Friedrich Merz, do partido União Democrata Cristã (CDU), o partido de Angela Merkel, tem sido o favorito nas pesquisas. Regularmente com mais de 30% das intenções de voto, a CDU, junto com seu aliado bávaro CSU, deve se tornar o maior partido da Alemanha e retomar o comando da política do país.
Nos últimos dias, Merz colocou a imigração como um dos principais temas, chegando a ser acusado de abrir espaço para uma possível colaboração com a extrema direita.
Em janeiro, ele causou polêmica ao tentar aprovar uma legislação com controles mais rígidos sobre a imigração, o que gerou protestos em várias cidades alemãs.
Merz tem uma longa trajetória política, tendo sido membro do Parlamento Europeu entre 1989 e 1994 e, posteriormente, do Bundestag até 2009. Após um período fora da política, trabalhando como advogado corporativo, ele retornou à política em 2022, quando assumiu a liderança da CDU.
- Alice Weidel (AfD)
Alice Weidel, candidata a chanceler pelo partido AfD, é uma defensora ferrenha da política anti-imigração. Após um bom desempenho nas eleições regionais de 2024, onde o AfD se tornou o maior partido na Turíngia, ela é agora uma das figuras mais proeminentes da política alemã.
Pesquisas indicam que o AfD está em segundo lugar nas intenções de voto, com cerca de 20%. Weidel defende políticas de "remigração", que envolvem o fechamento das fronteiras e a expulsão de migrantes ilegais.
- Olaf Scholz (SPD)
O partido de Scholz, o SPD, pode ser o maior perdedor da eleição. Embora tenha sido o partido vencedor nas eleições de 2021, as pesquisas mostram uma queda de cerca de 10 pontos percentuais nas intenções de voto, colocando o SPD atrás do AfD e em disputa com os Verdes pelo terceiro lugar.
Scholz chegou ao poder com a promessa de continuar o legado de Merkel, mas sua coalizão tem enfrentado dificuldades internas, o que desgastou sua imagem junto à população.
- Robert Habeck (Partido Verde)
O Partido Verde, com cerca de 13% das intenções de voto, também tem um papel importante na eleição. O candidato a chanceler do partido, Robert Habeck, é atualmente o ministro da Economia. Embora o partido não deva conquistar a maior parte dos votos, pode ser fundamental na formação da próxima coalizão de governo.
Principais problemas enfrentados na eleição
A imigração é o principal tema desta eleição, com um aumento nas preocupações devido a ataques de alto perfil cometidos por imigrantes. O governo de Scholz reintroduziu controles nas fronteiras, o que muitos interpretam como uma tentativa de ganhar a simpatia de eleitores que estão se inclinando para o AfD.
A economia também é uma questão crucial. A economia da Alemanha, que já foi uma potência, enfrenta dificuldades. O PIB do país encolheu nos últimos dois anos, e a visão geral é de que o país precisa de reformas profundas.
A guerra da Rússia na Ucrânia afetou a economia alemã, especialmente no setor energético, com a Alemanha diminuindo sua dependência do gás russo. Além disso, o setor automotivo enfrenta grandes desafios devido à crescente concorrência da China.
Possíveis resultados da eleição
Na Alemanha, os governos geralmente são formados por coalizões, já que nenhum partido consegue alcançar os 50% dos votos necessários para governar sozinho. Isso significa que, independentemente do vencedor, será necessário negociar uma coalizão para formar uma maioria.
No entanto, esse processo pode levar semanas ou até meses, o que significa que os alemães poderão precisar de paciência antes de ver quem realmente assumirá o governo.