Rafael Fonteles defende aproximação com evangélicos: “Valores muito próximos”

Questionado sobre a sucessão petista em 2026, o governador do Piauí reafirma a prioridade na reeleição de Lula.

Rafael Fonteles recebendo bênçãos dos evangélicos durante a campanha de 2022. | Divulgação Rafael Fonteles recebendo bênçãos dos evangélicos durante a campanha de 2022. | Foto: Divulgação
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Novo presidente do Consórcio Nordeste e um dos raros expoentes jovens do PT, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, de 39 anos, defende que o partido fortaleça a defesa do governo Lula. Economista por formação, Fonteles endossa a agenda do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e advoga por uma postura mais pragmática, que inclua a composição com o centro e até com a centro-direita nas eleições de 2026.

Em entrevista ao jornal O Globo, o governador atribui a queda na popularidade de Lula no Nordeste à inflação dos alimentos. “No Piauí, o presidente Lula continua com 65% de aprovação, apesar de já ter ficado acima dos 70%. Atribuo a queda principalmente à inflação dos alimentos. É o fator mais relevante, combinado com a comunicação das entregas”, afirmou.

reversão

Para reverter esse cenário, Fonteles aposta na expansão da produção agropecuária e na estabilização do câmbio. “O que vai resolver isso é o aumento da produção, tanto da agricultura familiar como do agronegócio. Há uma expectativa muito melhor para este ano. O arrefecimento do dólar também é fundamental”, explicou.

O governador também reforçou a necessidade de responsabilidade fiscal como condição para impulsionar o crescimento econômico. "Defendo que a equipe econômica seja cada vez mais fortalecida. Uma meta importante é obter grau de investimento, com o qual se passa a ter acesso a crédito mais longo e barato, o país entra no radar de vários investidores e fundos internacionais. Dou apoio total ao ministro Haddad”, afirmou, reconhecendo que dentro do PT existem diferentes correntes sobre o tema. “O PT é um partido muito grande, tem correntes que pensam diferente. Mas eu estou nessa direção de defender a política econômica do ministro Haddad”.

Segurança Pública

Sobre segurança pública, Fonteles pondera que a responsabilidade principal é dos estados, mas que o governo federal pode contribuir. 

É uma responsabilidade maior dos governos estaduais, porque comandamos as polícias. O governo federal, a meu ver, não tem a responsabilidade principal, mas pode contribuir — e contribui. Por isso defendo a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública e do Fundo Nacional de Segurança Pública para termos mais recursos e acontecer algo parecido com o que aconteceu na Educação.

O governador do Piauí também defendeu que o PT reforce sua relação com a comunidade evangélica, segmento onde Bolsonaro tem maior apoio. “No Piauí, temos excelente relação com a comunidade evangélica. Sou católico e de uma família muito ligada à religião. Nossos valores são muito próximos ao da comunidade evangélica. Esse ponto da defesa da família, dos ensinamentos de Cristo, inclusive aproximando fé e política, não vejo nenhum problema”, concluiu.

fake news

A crise gerada pelo boato de taxar o Pix também teve impacto no Nordeste, mas para Fonteles, o problema maior foi a falha na comunicação. “Foi forte, mas hoje pesa muito menos que a inflação dos alimentos. Apesar do susto na população de que poderia haver a taxação do Pix, isso não se configurou. Mas a comunicação sem dúvida podia ter sido feita de forma mais preventiva, explicando que não haveria taxação. Hoje em dia, o timing da comunicação do governo é muito importante”, pontuou.

"Foco na reeleição de Lula"

Sobre a próxima disputa presidencial, Fonteles não tem dúvidas de que o adversário de Lula será um nome ligado a Bolsonaro. 

Alguém da extrema direita. O ex-presidente (Jair Bolsonaro) ou alguém ligado a ele”, afirmou, descartando que um dos governadores cogitados possa encabeçar a chapa adversária. Para derrotar esse grupo, ele defende uma ampla articulação. “Independentemente do que aconteça na Justiça com Bolsonaro, ele será um protagonista da eleição. De novo, portanto, a frente ampla vai ser importante, fazer um caminho para o centro procurando conversar até com a centro-direita. Para continuarmos representando a maioria da população, temos que nos aproximar do centro e da centro-direita.

sucessão

Questionado sobre a sucessão petista, o governador reafirma a prioridade na reeleição de Lula. 

Nem cogito outra hipótese. Ele está firme, com saúde. Mas é natural (que ele cogite não concorrer). Quem gosta de antecipar eleição é a oposição. Quem está no governo quer governar, porque sabe que a eleição depende das entregas.

Fonteles reconhece que o partido ainda precisa investir mais na formação de novas lideranças

Para 2030, vai ter. Ninguém vai ficar apostando em outro nome quando temos o melhor. Neste momento, o foco total é a reeleição de Lula, e depois ele terá tempo de apresentar ao Brasil novas lideranças. Vários ministros já são naturalmente figuras nacionais. Pode ser o ministro Fernando Haddad, por exemplo.


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