Zambelli desabafa e sofre com abandono de Bolsonaro: “Esperava retribuição”

Mesmo em meio a processos e questionamentos, Zambelli segue fiel ao bolsonarismo, ainda que reconheça os desgastes dentro do grupo.

Carla Zambelli está prestes a perder o mandato e ser presa.  | Roque de Sá/Agência Senado Carla Zambelli está prestes a perder o mandato e ser presa. | Foto: Roque de Sá/Agência Senado
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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) expressou arrependimento pelo episódio em que perseguiu um homem armada na véspera das eleições de 2022, em São Paulo. "Devia ter entrado no carro e ido embora", afirmou. Para ela, sua situação atual reflete uma suposta perseguição política, culminando em uma possível condenação.

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para sentenciá-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento com uso de armamento. O julgamento, no entanto, encontra-se suspenso.

RELAÇÃO COM BOLSONARO EM CRISE

A deputada também demonstrou ressentimento com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem foi uma das aliadas mais fiéis. Ele a responsabilizou pela derrota nas urnas em 2022, o que Zambelli refuta. "Eu discordo do presidente Bolsonaro. Eu acho que atrapalhou, sim. Mas não teve vários dias de divulgação dessa imagem. Foi simplesmente meio dia. Não acho que tanta gente tenha mudado de opinião em relação ao voto que daria".

Ao ser questionada sobre um possível afastamento de Bolsonaro, ela foi direta: "Sim". Para Zambelli, faltou apoio por parte do ex-presidente. "Desde 2013 eu apoio o Bolsonaro. Antes como ativista, ajudei na eleição de 2018 e defendi o governo dentro do Congresso. Esperava ter algum tipo de retribuição", lamentou.

2026: INCERTEZA SOBRE A DIREITA

Sobre os rumos da direita na eleição presidencial de 2026, Zambelli mencionou nomes como Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. Entretanto, após a entrevista, voltou atrás e considerou prematuro especular cenários futuros.

Apesar de manter seu apoio a Bolsonaro, Zambelli criticou a condução do ex-presidente pós-eleição. "Mantenho. Acho que ele tinha que estar no Brasil e tinha que ter falado para as pessoas saírem de frente do quartel", disse.

CASO DA ARMA E JULGAMENTO NO STF

A parlamentar também comentou sobre a ação judicial envolvendo o episódio em que perseguiu um homem armada. Para ela, sua reação foi justificável: "Foi proporcional porque teve um tiro. E no momento que teve o tiro e que o policial caiu no chão, ele [Luan Araújo, o homem perseguido] estava em flagrante delito".

Contudo, reconheceu que sua reação foi impulsiva: "Minha ideia ali nunca era sacar a arma. Era trocar soco com ele, a princípio. Depois que teve o tiro, eu tirei a arma. Aquilo ali foi uma atitude infeliz".

O FUTURO POLÍTICO

Caso não consiga reverter sua inelegibilidade, Zambelli garantiu que pretende voltar à política. "Pretendo, em 2030. Não vão se livrar tão cedo de mim", declarou. Questionada sobre arrependimentos, mencionou o incidente da perseguição e afirmou que deveria ter se afastado do conflito. "Ter confiado ou me doado demais por algumas pessoas", acrescentou, sem citar nomes.

Mesmo em meio a processos e questionamentos, Zambelli segue fiel ao bolsonarismo, ainda que reconheça os desgastes dentro do grupo.

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